quinta-feira, 14 de junho de 2012

TIL - José de Alencar


Nessa minha primeira postagem resolvi falar de um clássico romance regionalista brasileiro. Sei que não é um livro muito popular ou que muitos gostariam de ler, mas como é obra obrigatória para o vestibular da Fuvest e da Unicamp me sinto na obrigação de falar sobre ela. 

Se você não se interessa por muitos detalhes será difícil gostar deste livro. Alencar narra minuciosamente bem  a paisagem do interior de São Paulo no final do século XVI e há uma supervalorização do interior do país e da vida bucólica. 

A história roda em torno de Berta, Til ou Inhá. Os fatos decorrem quando Luís Galvão e seu ''capanga'' Jão Fera, ou Bagre, se apaixonam por Besita, a moça mais bonita da vila, que é cortejada por Ribeiro. Este a propõe casamento, porém seu pai ainda tem esperanças que Galvão também a proponha, entretanto, ele não o faz, pois não aceitava a condição de pobreza de Besita, que acaba se casando com Ribeiro. Ao saber do ocorrido, Jão larga sua lealdade a Galvão e vai viver por conta própria. Logo após a cerimônia de casamento Ribeiro precisa ir a uma outra cidade buscar uma herança e abandona Besita, que fica morado em uma casa nos arredores da cidade com sua escrava Zana e seu pai, que já estava velho e doente. Há 2 meses sem notícias do marido Besita é enganada e engravida de Galvão, que logo após se casa com D. Ermelinda, despertando a raiva do Bugre. O pai de Besita morre e está leva uma vida pacata ao lado de Zana e sua filha Berta, até que Ribeiro volta e irado pela traição mata Besita, deixando Zana louca e Til aos cuidados de Jão, que se saber o que fazer a entrega para D.Tudinha cria-lá. Berta cresce ao lado de seu irmão postiço Miguel e de seus amigos/irmãos Afonso e Linda, que são filhos de Galvão.

A história se desenrola na bondade e generosidade de Berta, na paixão que Miguel, Afonso e Brás nutrem por ela e nas tentativas do Bugre em protegê-la.

Apesar de não apresentar uma heroína tipica, Til é considerado ainda um romance, apesar de apresentar características do Realismo, sendo assim, uma obra de transição.

domingo, 6 de maio de 2012

The Serpent's Shadow


Foi lançado nos Estados Unidos, no dia 1º de maio, o terceiro livro das Crônicas dos Kane, do autor Rick Riordan, The Serpent's Shadow. Eu, particularmente, estou muito ansioso pelo lançamento da versão traduzida para o português brasileiro, pois já li os dois primeiros ( Em breve postarei a resenha de "O Trono de Fogo" ) e vi que este autor está em pleno crescimento. Porém, a previsão de lançamento no Brasil é em outubro deste ano. Muito longe para fãs da série como eu, mas o que resta a fazer é esperar para poder obter a conclusão desta empolgante série que já caiu no gosto de uma legião de pessoas. Teremos de nos contentar com o Book Trailer (um teaser do livro), e o primeiro capítulo traduzido pelo site Percy Jackson Brasil. Por questões autorais e de respeito não irei reproduzir a tradução aqui ( o link do site com o capitulo segue abaixo do vídeo ) :






PercyJacksonBrasil

sábado, 5 de maio de 2012

[RESENHA] Água Para Elefantes


Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora.

Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.

Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais.

É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo.

"Água para Elefantes" é tão envolvente que seus personagens continuam vivos muito depois de termos virado a última página. Sara Gruen nos transporta a um mundo misterioso e encantador, construído com tamanha riqueza de detalhes que é quase possível respirar sua atmosfera.

Alternando entre as memórias de Jacob Jankowski (maior parte do livro) e sua atual realidade em um asilo,  Sara Gruen, além de entreter o leitor em ambos momentos,  narra de forma brilhante a história em primeira pessoa, transmintindo de forma exímia os sentimentos do protagonista,  de forma que esses influenciem no decorrer da narrativa. Porém, a autora peca no início, deixando-o um tanto maçante, de forma mais enrolado, além de não realizar corretamente algumas transições do Jankowski idoso para o circense.


Realmente, a ideia da alternância entre momentos de lembranças de Jacob no circo e momentos de relatos do cotidiano dele no asilo, foi excelente. No primeiro se concentra as partes mais importantes da história, onde o veterinário e orfão narra suas "aventuras" pelo mundo circense. No segundo percebe-se um "ar" de indignação dele com a situação de impotência e da saudades dos "Irmãos Benzini", e também um "ar" de irreverência, pois os sentimentos ranzinzos do protagonista causam situações que levam o leitor à algumas risadas. Bem bolado. Entretanto, o mais interessante é como Sara Gruen transmite magnificamente tais sentimentos ao longo do livro, demonstrando as angústias de Jacob e as aplicando sobre o desenrolar dos fatos, de forma que lê-se com os olhos de tal. Assim, a imparcialidade do personagem é impecável.

Outro fator de acerto foi nos personagens. Em muitos livros estes são clichês e com fraca personalidade. "Água para Elefantes" não. O livro gira em torno basicamente de um triângulo : Jacob Jankowski, Marlena, August, e Rosie no meio. O primeiro não é como os "mocinhos" que não cometem erros, e são espécies de "santos". Ele demonstra não só amor, gentileza, bondade e compaixão, mas constantemente rancor, mágoas, e ódio. Isto torna-o interessante, pois não fica só naquela boa índole que transmite para sua amada Marlena, e sua adorada  elefante Rosie, mas também os sentimentos egoístas, na maioria das vezes direcionado para o tirano August, chefe do setor de animais. A segunda é como qualquer mulher apaixonante de um romance, linda, meiga, e charmosa, com um diferencial: apresenta uma característica esférica, ou seja,  muda parte do seu comportamento no decorrer do livro. Inicialmente, Marlena era oprimida pelo chefe do setor animal, porém ao se apaixonar por Jacob, esta deixa de aceitar as imposições do marido. Já o terceiro é com certeza o mais fascinante dos três, pois assume uma forma bipolar, nunca se sabendo sua reação à algum fato ou ato que aconteça durante o livro. Hora gentil e bondoso, hora o intratável diretor da área dos animais, descontando toda sua raiva em sua esposa, Marlena, e em Jankowski, o veterinário do circo. Só citando, Tio Al é apenas um coadjuvante nesta "trama", ficando na sombra desse triângulo.

Entretanto, "Água para Elefantes" tem suas falhas. O começo do livro chega a ser maçante, pois demora em demasia para se desenrolar e desenvolver a ligação de acontecimentos , fazendo com que os leitores menos pacientes optem pela desistência. Empolgando com o pulo do protagonista do trem dos Benzini, Gruen , após este momento de êxtase, deixa a narrativa fica lenta e só acelera a partir do capítulo seis/sete, quando começa a ficar realmente interessante. Outro ponto negativo são as transições do Jacob circense para o Jacob idoso. Muitas vezes a autora não as realiza muito bem, "quebrando" a história em momentos importantes, de tensão, dando uma sensação de feito às pressas. Mais especificamente, quebra o ritmo. Os impacientes facilmente se irritariam com tais transições.

A alternância passado/presente, a perfeita narração em primeira pessoa e a construção dos personagens, são com certeza os ápices da obra. Todavia, a quebra do ritmo em certos pontos, e o excesso de cadência nas primeiras páginas tiram o adjetivo "impecável" do livro. Logo, é recomendável paciência em algum momentos para quem deseja lê-lo. Quem tiver, provalvelmente não se arrependerá e verá que as qualidades se sobrepõem (bastante mesmo) sobre as falhas. Se apaixonará por Marlena e Rosie, terá raiva de August e torcerá por Jacob. Enfim, com seus erros, "Água para Elefantes" consegue entreter o leitor em quase todos momentos, se diferenciando da gama de clichês que se encontram nas prateleiras das livrarias.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

#Dissertando: erros de português


É de conhecimento de todos a relação injusta que se estabeleceu entre os blogs e as editoras. Mas esse pequeno universo literário-virtual possui diversos outros defeitos que destroem aquela bela imagem ("lindos jovens debatendo sobre livros numa época na qual a juventude só quer saber de videogames") que vem à cabeça quando se fala em blogosfera literária. Realmente, a teoria é maravilhosa, e a prática também seria, se o que contasse fosse apenas a quantidade de leitura, afinal o que se ganha de livros sendo blogueiro não é pouco. Entretanto, esses jovens estão errando feio no quesito "blogar". Além das parcerias com editoras, existem outros fatores que contribuem para deixar essa blogosfera um saco. Por exemplo, erros de português.


Ler é a melhor forma de aumentar o vocabulário
e melhorar a escrita. Teoricamente?
Chega a ser contraditório, não? Logo as pessoas que se dedicam a comentar livros, que amam as palavras, que adoram ler. Infelizmente isso acontece, e bastante. Não é difícil encontrar alguns absurdos ortográficos enquanto se navega pelos blogs literários e suas postagens homogêneas. Não preciso citar exemplos, mas se você quiser ver alguns e dar umas risadas, você pode visitar o Vergonha Literária  que se encarrega de expor e criticar esses erros. Na verdade todos os blogs deveriam se preocupar com o português, porém os literários deveriam ser exemplo já que se propõe a discutir sobre livros, ou seja, estão intimamente ligados às palavras. O que pensar de um indivíduo que gosta de ler, que às vezes lê centenas de livros por ano, e consegue cometer erros gritantes como "des de"? 


Não que esse tipo de equívoco seja intolerável e que um blog ideal não o tenha. Deslizes todos cometem, aqui mesmo já cometi vários , principalmente no início, mas agora tenho um cuidado enorme e chego a fazer 3, 4, até 5 revisões nos textos das postagens antes de publicá-las. Porém, de vez em quando, um equívoco ou outro escapa e isso, com certeza, é compreensível. Por outro lado, fica claro que o blogueiro não tem esse cuidado quando os erros gramaticais e ortográficos são recorrentes. 


Não só por perfeccionismo, é interessante ser cuidadoso com o português já que a qualidade do texto é um elemento que pode pesar na hora de atrair leitores. Um texto mal escrito pode ser difícil de entender e, por consequência, afastar visitantes. Um pouco mais de cuidado e atenção antes de publicar as postagens não custa nada e torna o blog mais agradável de ser lido. Muitos blogueiros literários por aí deveriam pensar nisso...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

#Dissertando Adaptações Cinematográficas


Esse promete!
É cada vez mais comum livros YA serem adaptados para o cinema. Sim, porque a literatura juvenil está, cada vez mais, ganhando espaço nas livrarias e revelando best-sellers que se tornam febre entre os jovens. Todavia, a maioria das adaptações terminam em fracasso e a franquia (se for uma série) vai pro ralo. Por que será que isso acontece? Existe alguma "fórmula" para o sucesso? Essas, certamente, são perguntas difíceis de se responder, mas, analisando alguns casos e parando pra pensar um pouco pude construir meu ponto de vista sobre o assunto.

Vamos começar observando um fato: a literatura e o cinema são dois universos bem diferentes. Uma obra literária, por exemplo, geralmente, é mais rica em detalhes e a história se desenvolve mais lentamente, quando comparada a um filme. Além disso, pode ser lida em vários dias, afinal, quando fica chato, o leitor pode muito bem fechar e deixar pra outra hora. Já o filme tem que ser mais dinâmico pois tem pouco tempo para conquistar quem está assistindo. E ninguém pausa e filme quando está chato e volta a ver depois. Ou seja, se um filme tem duração de duas horas, ele tem que ser interessante por duas horas! 


"Os olhos da Annabeth são cinzas, não azuis!!"
Aquela idealização de muitos fãs de uma adaptação 100% fiel é utopia. Livros têm suas partes lentas, arrastadas, muitas vezes até chatas, que não  ficariam legais na tela do cinema e têm que ser cortadas/adaptadas. O que quero dizer é que a palavra "adaptação" deve ser levada ao pé da letra para um filme ter maiores chances de dar certo. Sim, contrariando aqueles fãs que querem cada diálogo, cada cena, cada página sendo reproduzidas nos seus mínimos detalhes, é importante que alterações sejam feitas. Se fosse assim, o roteiro do filme seria o próprio livro. Afinal de contas, o público "não leitor da obra" é grande, na maioria das vezes, maior que o público leitor (Harry Potter é excessão já que 9 de 10 pessoas já leram). Portanto, essa parcela do público não se importa com a semelhança livro-filme. Não adianta uma adaptação fiel, que agrade os leitores, mas deixe o resto do público na mão, por acabar sendo um filme chato. Claro, tudo tem que ser feito na medida senão pode ficar um ruim da mesma forma, afinal, se um livro se torna um best-seller, é porque sua história agradou. Dessa forma, a menos a essência (antagonistas/protagonistas, conflitos, clímax, desfecho, etc.) deveria permanecer.


No fim das contas, nunca haverá certeza se a adaptação será um sucesso ou um fracasso. Mas para que as possibilidades a sucesso sejam maiores, a adaptação tem que ser efetiva, ou seja, que a história do livro seja contada de outra forma: por meio de um filme.


Adaptações de livros juvenis são bem comuns e esse assunto desperta diversas opiniões. O Bruno Miranda do blog Minha Estante tem a dele:


"Se os livros fazem sucesso a ponto de chamar atenção suficiente para se produzir um filme, que custa milhões, é porque ele é muito bom! Por isso, prefiro quando eles seguem fielmente o enredo do livro em questão. Mas a gente sabe que isso, quase nunca acontece! Precisa se adaptar, retirar cenas, colocar outras... Mas creio que haja uma diferença entre o filme baseado e o adaptado. Não sei há essa diferença de verdade, mas vários livros baseados possuem apenas a "essência" da história e o resto tudo diferente. O que causa aquela discussão entre os que leram o livro e esperavam por uma recriação exata. Mas rola uma decepção ao você ler um livro maravilhoso, querer VER aquela cena marcante e chega lá a cena não entrou no filme. Mas como um todo, creio que devemos curtir o livro e o filme separadamente, afinal, como eu disse, nunca é exatamente igual. Um filme baseado em livro pode ser ruim, mas não por causa da má adaptação do livro!"


E aí, o que vocês acham disso?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

#Dissertando: Parcerias com editoras



Os autores do Blog Epílogo orgulhosamente apresentam a nova (e primeira) coluna do blog: #Dissertando. Vamos à uma rápida introdução: a proposta é falar sobre assuntos relacionados ao mundo literário, principalmente aqueles que podem suscitar pontos de vista divergentes. Um espaço para expor opiniões! Nos textos vocês irão ler a nossa opinião e sempre que possível iremos adicionar a de outros blogueiros. Bem simples! Então vamos ao texto de estreia.


Aí vai a maior dúvida de todo blogueiro literário: como se destacar nesse mar de blogs que tem a mesma proposta: resenhar livros? É sobre uma das maneiras mais adotadas para ganhar popularidade, e principalmente o efeito dela na blogosfera literária, que irei falar nessa postagem: as parcerias com editoras.

Depois que criei o Blog Epílogo (antigo Inkworld) e comecei me aventurar por esse mundo literário-virtual, percebi a quantidade de pessoas que também queriam  falar desse mesmo assunto: livros. Então comecei a reparar no que elas faziam para ganhar popularidade. Uma coisa me chamou a atenção por parecer eficiente: blogs faziam parcerias com editoras e estampavam suas logomarcas nas barras laterais ou em páginas especias.  Realmente, o que pode ser melhor do que o reconhecimento de uma editora para atrair seguidores? É como se o blogueiro dissesse: "veja de quem sou parceiro. Eles consideram meu blog bom. Me siga!". É mesmo um grande atrativo que traz benefícios que vão além do reconhecimento: A editora envia de brinde livros para resenha e para sorteio/promoções. Esse último funciona como um imã para aqueles "pseudo-seguidores" que só estão a fim de ganhar o livro sorteado. Parece um verdadeiro negócio da China. Mas, de certa forma, essas parcerias estão sendo ruins para a blogosfera literária. A qualidade dos blogs está caindo e conteúdo se tornando excessivamente uniforme.

É como um fenômeno que acontece com a maioria das páginas daqueles que veem nas parcerias com editoras uma chance de ganhar status e se apoiam nisso. Veja que é um generalização, existem exceções. O sujeito angaria vários seguidores com as primeiras parcerias e então vai acumulando logomarcas na seção "Parceiros". É como um vício pois o retorno que se tem é grande, em forma de seguidores e visualizações de página. É só reparar que todos grandes blogs literários possuem uma porrada de editoras parceiras. O problema é que essa relação traz benefícios, mas traz consigo compromissos também. O sujeito tem que resenhar livros recebidos, fazer promoções e divulgar lançamentos dos parceiros. E quanto mais parceiros, mais compromissos, mais resenhas, mais divulgação. Sinceramente, esse conteúdo, fruto da parceria com a editora, em sua maioria é chato e não dá vontade de ler, a menos que seja a divulgação da capa do próximo livro da série que você gosta ou uma resenha. O blog começa a ficar atolado de postagens de sorteios, divulgações e principalmente outro elemento que surge de uma ideia simpática mas que não passa de um tapa-buraco, como diria o Nícolas, do Braunne: "Na Minha Caixa de Correio".


Após firmar tantas parcerias, a quantidade de livros que o blogueiro recebe por mês é enorme, não dá pra resenhar tudo. O que fazer com eles? Mostrar para os amigos seguidores! Criam um vlog para essa finalidade: mostrar os livros que chegaram. Agora, sem mentiras, é até divertido assistir a esses vídeos, alguns chegam a ser engraçados. O ponto é: há blogs que se sustentam nisso e nas divulgações, promoções e uma ou outra resenha (mal feita, mas isso já é outro tópico). Muitos não se importam em produzir um conteúdo interessante e sua página acaba se tornando mistura de postagens chatas. O interessante do blog literário não é expor os livros que você tem, mas sim expor o que você achou deles. Infelizmente o que está acontecendo com a maioria dos blogs voltados ao mundo literário é que grande parte das postagens está se tornando desinteressante e maçante.


"Quanta bobagem!"
Agora imagine isso acontecendo em grande escala. O resultado é um "universo" de blogs com conteúdo fraco e muito semelhante. Encontrar originalidade nesse universo é realmente uma tarefa muito difícil, mas como disse acima, existem exceções. É possível ter um blog original e autêntico e ao mesmo tempo ter editoras parceiras. Existem vários exemplos por aí.


Esse é um assunto pouco discutido e esse texto é só uma parte pequena do que pode ser extraído dele. Talvez seja hora dos blogueiros pararem pra pensar um pouco que a quantidade de seguidores não significa tanta coisa. Essa disputa por sucesso, que gera essa corrida atrás de editoras só está tornando a blogosfera literária deveras homogênea. Em suma, os blogueiros estão se atendo mais à quantidade do que a qualidade.


Para terminar o texto, dois blogueiros, os únicos que responderam o nosso pedido, gentilmente cederam suas opiniões sobre o tópico:


Lilian Silva do blog Lá no Cafofo:
"Creio que existe, sim, uma corrida desenfreada por status e sucesso e isso já afetou a qualidade do conteúdo dos blogs. Parcerias entre editoras e blogs, que deveriam ser um meio de divulgação para ambos, acabaram estimulando uma espécie de competição e o mais importante, que é a opinião sobre o livro, acabou ficando de lado. Com medo de perder a parceria, muitos abrem mão de opinar. É por isso que se veem conteúdos cada dia mais parecidos, mais pasteurizados. Acredito que é possível ter parcerias e ser autêntico. Basta escolher editoras que tenham uma visão parecida e não vender a alma pra ganhar um livro ou um brinde."


Nícolas Oliveira, do Braunne:
"Fora os livros de graça, me parece que o leitmotiv das parcerias com editoras é a ideia de 'contar vantagem' sobre outros blogs literários. Pra mim não há relevância em se ter editoras parceiras para dar continuidade a um blog. Se o leitor realmente quer debater, promover e incentivar a literatura, não precisa disso. Eu nunca ganhei livro de editora e raramente os compro. Tudo que li provém de bibliotecas. Mas continuo com minha página independente, resenhando o que der, seja livro badalado ou totalmente desconhecido. Aliás, neste segundo grupo, já encontrei ótimas leituras que dificilmente encontraria nas prateleiras"


A propósito, os blogs da Lilian e do Nícolas são ótimos, não vão na onda do "vamos viver de sorteios!". É difícil mas a gente acha! :-)

Ladrão de Raios - HQ


   A Íntrinseca aproveitou bem o sucesso de "Percy Jackson e os Olimpianos". Foi lançado por volta de setembro (sim, faz tempo, e por isso até peço perdão) a adaptação para quadrinhos da história do garoto problemático de 12 anos, que tem sua vida virada de cabeça para baixo ao descobrir que tem parentesco com os grandes Deuses gregos. Muitos são contra a ideia, porém eu sou muito a favor, desde que o leitor saiba aproveitar bem esse recurso. Confesso que sou um fã assíduo desta série e que adoraria ter a Percy Jackson com todos seus traços desenhados em minha estante, visto que mais essa ramificação do grande sucesso que foi essa série poderia trazer de volta os tempos em que me aventurava pelas páginas de "Ladrão de Raios".

  Então está ai, pra você que já leu o primeiro volume dos cincos livros e quer ver e ler está narração em quadrinhos, vale a pena comprar mais esse exemplar das histórias de Perseus Jackson! Mais algumas horas de diversão o esperam, caro fã!
   Obs: Abaixo está o vídeo com um trechinho em inglês de Percy Jackson e os Olimpianos, "the official graphic novel".

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